A primeira impressão que dá, ao ver Robert Downey Jr. voando com a armadura do “Iron Man”, é que ele deixou a vida de “bad boy” pra trás e decidiu morrer, arriscando-se em novas experiências científicas malucas como voar num super traje. Tudo é perfeito. Do último fio de cabelo loiro da Gwyneth Paltrow (no papel da simpática secretária Virginia “Pepper” Potts) aos testes de vôo. Tudo muito bem pensado pelo diretor Jon Favreau (o quarto a ser convidado a dirigir) e sua equipe.

O primeiro, de uma série de filmes (e quanto a isso não há dúvidas) “Homem de Ferro”, falta atirar no chão e pisar em cima de todas as outras adaptações de HQ (bom, pelo menos as da Marvel). Não que os outros filmes não mereçam seu devido reconhecimento; muito pelo contrário; porém os 186 milhões de dólares muito bem investidos fizeram toda a diferença.

Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um industrial bilionário, que também é um brilhante inventor. Ao ser sequestrado ele é obrigado por terroristas a construir uma arma devastadora mas, ao invés disto, constrói uma armadura de alta tecnologia que permite que fuja de seu cativeiro. A partir de então ele passa a usá-la para combater o crime, sob o “alter-ego” do Homem de Ferro.

O roteiro foi criado a partir das revistinhas; tentando trazer ao atual a história de Tony Stark. No filme, por exemplo, Tony transforma-se em Homem de Ferro durante a guerra do Iraque; já nos quadrinhos, na guerra do Vietnã. É uma adaptação fiel, com poucos elementos novos e situações cotidianas mais contemporâneas.

Sobre Robert Downey Jr. (conhecido por inúmeros problemas com drogas – chegou a cancelar as filmagens do seriado Ally McBeal por estar na cadeia, cumprindo pena por porte de substâncias ilegais), posso dizer que não havia escolha melhor. O personagem Tony, tão politicamente incorreto quanto o próprio ator, é quase uma espécie de “irmão gêmeo perdido” que, ao contrário do outro, prefere afogar as lágrimas (tanto de tristeza quanto de alegria) num bom copo de whisky.

Os efeitos especiais, pra quem já se espantava com Homem-Aranha, trazem algo muito real à mente humana (em certos momentos a gente até acredita na possibilidade de uma super armadura planar por entre os carros de Los Angeles). Vôos, derrapagens e lutas no mano a mano combinadas em alguns momentos de pura adrenalina psicodélica. Coisa de maluco!

Não foi a toa que rendeu uma das cinqüenta maiores bilheterias do cinema; lembrando que a data escolhida para o lançamento, enfrentou a forte “temporada de verão americana” com filmes de alto calibre (Indiana Jones, Batman: Cavaleiro das Trevas e O Incrível Hulk são alguns exemplos). É um filme para a posteridade. Um filme “sem comentários”.